CID 10 - D83
A Imunodeficiência Comum Variável (ICV) é um dos tipos mais comuns de imunodeficiências primárias.
Trata-se de um distúrbio heterogêneo caracterizado por uma deficiência significativa na produção de imunoglobulinas (anticorpos), o que resulta em maior suscetibilidade a infecções, particularmente respiratórias e gastrointestinais.
Características principais:
- Redução de imunoglobulinas:
- Níveis baixos de IgG e, frequentemente, de IgA e/ou IgM.
- Resposta deficiente a vacinas e infecções naturais.
Infecções recorrentes:
- Infecções bacterianas de repetição, como sinusites, pneumonias e otites.
- Infecções virais ou fúngicas podem ocorrer em casos mais graves.
Distúrbios autoimunes:
- Até 25% dos pacientes apresentam condições autoimunes, como anemia hemolítica, trombocitopenia ou doenças inflamatórias intestinais.
Risco aumentado de câncer:
- Especialmente linfomas e tumores do trato gastrointestinal.
Alterações granulomatosas:
- Alguns pacientes desenvolvem granulomas não infecciosos que podem afetar diversos órgãos.
Manifestações gastrointestinais:
- Diarreia crônica, má absorção e doenças inflamatórias intestinais são frequentes.
Etiologia:
A ICV é multifatorial, envolvendo predisposição genética. Mutações em genes como TACI, ICOS, CD19, CD20, entre outros, podem estar associadas, mas a causa genética nem sempre é identificada.
Diagnóstico:
- História clínica: Infecções de repetição, autoimunidade ou outros sintomas característicos.
Exames laboratoriais:
- Níveis séricos baixos de IgG, IgA e/ou IgM.
- Falha na produção de anticorpos após vacinação.
- Exclusão de outras causas de hipogamaglobulinemia, como medicamentos, infecções ou outras condições secundárias.
Tratamento:
- Imunoglobulina intravenosa (IGIV) ou subcutânea (IGSC):
- Terapia de reposição para corrigir a deficiência de anticorpos.
Tratamento de infecções:
- Uso precoce e prolongado de antibióticos para evitar complicações.
- Monitoramento e manejo de complicações:
- Controle de condições autoimunes, granulomatosas e rastreamento de câncer.
Embora o tratamento melhore a qualidade de vida e reduza infecções, não reverte completamente a imunodeficiência, sendo o manejo contínuo e individualizado essencial para o cuidado do paciente.
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